Thom Yorke, vocalista do Radiohead, está celebrando um retorno às suas origens como artista visual com sua primeira exposição institucional, intitulada This Is What You Get, no Museu Ashmolean em Oxford. A mostra, que vai até janeiro de 2026, apresenta mais de 180 obras criadas em colaboração com Stanley Donwood, parceiro artístico de Yorke desde os tempos de faculdade e responsável por praticamente toda a arte visual dos álbuns do Radiohead desde The Bends.
Yorke revelou em entrevista ao The Art Newspaper que se sentiu envergonhado ao abandonar sua formação em artes visuais ao assinar o primeiro contrato com a EMI em 1991. Insatisfeito com a capa de Pablo Honey, ele convidou Donwood para colaborar, iniciando uma parceria marcada por experimentações visuais ousadas. A capa de The Bends foi criada degradando imagens de um boneco de RCP, enquanto OK Computer usou uma foto de um cruzamento em Connecticut, refletindo o estado mental de Yorke na época, que descreveu como caótico e fora de controle devido às turnês incessantes.
A partir de Kid A, Yorke e Donwood voltaram à pintura física, trabalhando em telas grandes e usando materiais como Artex para criar texturas que depois eram digitalizadas. Yorke descreveu esse retorno como absolutamente aterrorizante, pois não pintavam por pintar, mas para construir superfícies visuais que complementassem a música.
A exposição This Is What You Get inclui capas de discos, cadernos de desenho inéditos, pinturas recentes e composições digitais. É uma celebração da interseção entre som, imagem e texto, elementos que sempre estiveram entrelaçados na obra do Radiohead. Yorke e Donwood também lançaram livros de arte e participaram de exposições em galerias como a Tin Man Art e na Christie’s.
Embora o Radiohead não lance um álbum desde A Moon Shaped Pool, de 2016, Yorke tem se mantido ativo musicalmente. Ele lançou trilhas sonoras para Suspiria (2018) e Confidenza (2024), o álbum solo Anima, três discos com o projeto paralelo The Smile e, mais recentemente, Tall Tales, uma colaboração com o produtor eletrônico Mark Pritchard. O trabalho é descrito como experimental e distópico, com vocais manipulados e temas como crise climática e isolamento. Yorke também embarcou em sua primeira turnê solo em 2024, tocando músicas de toda a sua carreira sozinho no palco.