“‘Poema’: a música esquecida de Cazuza que alcançou as novas gerações na voz de Ney Matogrosso”

Entre as muitas canções escritas por Cazuza ao longo da carreira, uma delas se destacou não apenas pela força lírica, mas também por sua trajetória inusitada. Escrita originalmente como um presente para sua avó paterna, Maria José, na década de 1970, a poesia que deu origem à música “Poema” permaneceu inédita por mais de duas décadas. O artista nunca chegou a gravá-la, e só em 1999 ela foi lançada, na voz de Ney Matogrosso.

A composição

A composição da canção surgiu de um pedido da avó: segundo Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, Maria José pediu ao neto que lhe escrevesse um poema ainda em vida. O artista atendeu, mas a avó decidiu guardar o texto em segredo. Somente após a morte dela, aos 100 anos, o poema foi descoberto por Lucinha entre os pertences deixados, junto de fotos e LPs autografados.

Em posse da poesia, Lucinha convidou Robert Frejat, antigo parceiro de Cazuza no Barão Vermelho, para musicar os versos. A melodia então ganhou vida e, em seguida, Ney Matogrosso — que foi namorado de Cazuza na década de 1980 — foi chamado para interpretar a canção. O resultado foi lançado no álbum Olhos de Farol (1999), tornando-se um dos maiores sucessos da carreira de Ney.

“Poema” é, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), a música mais tocada de Ney Matogrosso até hoje. No Spotify, também lidera o ranking de reproduções do cantor, mostrando a força da obra, mesmo lançada tantos anos após sua criação original.

A viralização da canção

Além do sucesso contínuo nas plataformas, a canção costuma viralizar nas redes sociais, especialmente no mês de julho, por conta do Dia dos Avós (26/07). Em 2023, por exemplo, uma trend no TikTok levou a música a atingir cerca de 1,7 mil postagens diárias e 27 mil reproduções diárias no Spotify, um aumento de 20% na plataforma.

Mais do que um sucesso tardio, “Poema” se tornou um símbolo de afeto, memória e reencontro. A música revela uma faceta íntima de Cazuza e resgata, por meio da sensibilidade de Ney Matogrosso, a delicadeza de um gesto que ultrapassou o tempo.

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