Pete Townshend, guitarrista do The Who, refletiu em entrevista ao New York Times sobre as origens de seu comportamento explosivo no palco, especialmente o hábito de destruir guitarras, que marcou sua imagem pública nos anos 1960 e 1970. Segundo ele, esse gesto pode ter sido uma resposta emocional à falta de apoio do pai durante sua juventude musical. “Meu pai, um músico brilhante, não acreditou em mim e deixou minha avó me comprar um violão velho que eu não conseguia tocar”, disse. Para Townshend, quebrar instrumentos tornou-se um símbolo da frustração por não se sentir digno de um instrumento decente.
Apesar de não ter se interessado inicialmente pelo rock, ele encontrou propósito ao perceber que suas composições falavam diretamente com o público jovem. Ao lembrar do impacto de “I Can’t Explain”, seu primeiro sucesso com o The Who, contou que um grupo de fãs o abordou dizendo que a música expressava o que eles não conseguiam colocar em palavras. “Percebi que tinha recebido uma tarefa fantástica, que era falar por este público”, afirmou. Músicas como “My Generation” e “Pictures of Lily” foram, segundo ele, fundamentais para dar voz a uma geração que se sentia deslocada.
Townshend também comentou sobre o distanciamento entre o artista e sua obra ao longo dos anos. Para ele, a sensação de estar em uma “banda tributo ao The Who” vem do fato de que o público idolatra o passado, sem interesse por novidades. “A fraude começa quando você se torna uma propriedade e não pertence mais aos seus fãs. Você pertence às gravadoras, aos promotores, aos empresários”, disse. Essa reflexão acompanha o momento atual da banda, que avalia os próximos passos após a turnê em andamento que pode ou não marcar sua despedida dos palcos.