Os incêndios florestais que atingiram a Califórnia em janeiro de 2025 deixaram um rastro de destruição sem precedentes, com mais de 57 mil acres queimados, 31 mortes confirmadas e mais de 200 mil pessoas evacuadas. Entre os milhares de afetados está o guitarrista da banda Primus, Larry “Ler” LaLonde, que perdeu sua casa e quase todo seu acervo musical pessoal.
Em entrevista à Guitar World, LaLonde revelou que cerca de 58 guitarras foram destruídas, incluindo uma Stratocaster usada nos primeiros álbuns do Primus, como Sailing the Seas of Cheese. “Era a guitarra que eu tinha desde o ensino médio. Ela estava lá [no fogo]”, lamentou o músico. Além das guitarras, todo o estúdio de gravação foi consumido pelas chamas. LaLonde também relatou ter deixado para trás um disco rígido com arquivos importantes, apesar de tê-lo visto diversas vezes durante a evacuação.
O incêndio que destruiu sua residência foi parte de uma série de 14 focos simultâneos que atingiram o sul da Califórnia entre os dias 7 e 31 de janeiro. Os mais devastadores foram o Eaton Fire, em Altadena, e o Palisades Fire, em Pacific Palisades, que juntos destruíram mais de 18 mil estruturas. As condições climáticas extremas incluindo ventos Santa Ana de até 160 km/h e uma seca histórica contribuíram para a propagação rápida das chamas.
Apesar da tragédia, LaLonde conseguiu salvar uma guitarra de braço duplo presenteada por Alex Lifeson, do Rush. A comunidade musical também se mobilizou: o luthier Paul Reed Smith enviou pessoalmente duas guitarras PRS ao músico, após saber que apenas uma havia sobrevivido ao incêndio.
A esposa de LaLonde, Shane Stirling, também compartilhou nas redes sociais que todos os vizinhos perderam suas casas. “Ainda estou em choque, sem saber o que acontece agora. Mas estou percebendo, hora após hora, tudo o que foi perdido”, escreveu.
Os incêndios de janeiro de 2025 são considerados os mais destrutivos da história da Califórnia em pleno inverno, com estimativas de prejuízo econômico entre US$ 95 bilhões e US$ 250 bilhões. A tragédia de LaLonde é um retrato pessoal de um desastre coletivo que reacende o debate sobre os impactos das mudanças climáticas e a vulnerabilidade crescente da região.