King Gizzard retira catálogo do Spotify em protesto contra investimentos militares do CEO

A banda australiana King Gizzard & The Lizard Wizard anunciou a remoção de quase todo o seu catálogo do Spotify como forma de protesto contra os investimentos do CEO da plataforma, Daniel Ek, em tecnologias militares baseadas em inteligência artificial. A decisão foi comunicada por meio das redes sociais da banda, que afirmou que Ek investe milhões na empresa europeia Helsing, especializada em softwares e equipamentos militares autônomos.

O grupo, conhecido por sua produção prolífica e por explorar diversos gêneros musicais, retirou mais de 25 álbuns de estúdio da plataforma, incluindo lançamentos recentes como Phantom Island e The Silver Cord. Apenas o EP Satanic Slumber Party, lançado em parceria com a banda Tropical Fuck Storm, permanece disponível, por ter sido distribuído por outro selo.

A atitude da banda se soma a um movimento crescente entre artistas independentes que questionam o uso de receitas da música para financiar tecnologias de guerra. Bandas como Deerhoof e Xiu Xiu também retiraram seus catálogos do Spotify em protesto, alegando que não desejam que sua arte seja associada a aplicações militares de inteligência artificial.

Daniel Ek, por meio de sua empresa de investimentos Prima Materia, liderou recentemente uma rodada de financiamento de cerca de 700 milhões de dólares para a Helsing, que desenvolve drones, submarinos e aeronaves autônomas voltadas para uso militar. A iniciativa reacendeu o debate sobre a responsabilidade ética das plataformas de streaming e seus executivos quanto à destinação dos lucros obtidos com a monetização da música.

A banda incentivou seus fãs a migrarem para outras plataformas como Bandcamp e Tidal, onde o vínculo entre artista e público é mais direto. A retirada do catálogo ocorre poucos dias antes do início da turnê de verão do grupo nos Estados Unidos.

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