O lendário guitarrista revelou que se apresentar ao vivo tem sido uma espécie de “pesadelo recorrente”, já que ele “não é exatamente uma pessoa sociável”.
Apesar de já ter feito incontáveis shows ao longo dos anos e de seu talento inegável como guitarrista virtuoso, Satriani admitiu que não se considera um artista nato de palco.
Em entrevista à D’Addario, o guitarrista explicou o desconforto que sente entre sua persona no palco e quem ele é fora dele:
“Acho que nunca me sinto eu mesmo no palco”, contou. “Esse é o problema. Você sobe ao palco e pensa: ‘Eles vão perceber que sou só eu mesmo’.”
“A história das apresentações ao vivo sempre foi um pesadelo recorrente para mim, porque eu não sou exatamente o tipo de pessoa que gosta de estar entre outras. Não busco estar no meio de uma multidão, muito menos na frente de uma plateia, mas eu amo música e quero compartilhá-la. Esse é o clássico conflito artístico.”
Satriani contou que, para lidar com esse dilema entre sua natureza introvertida e a necessidade de ser extrovertido no palco, ele criou o alter ego Shockwave Supernova — nome inspirado no seu álbum de 2015.
“Meu filho fez um documentário sobre isso, e decidimos que Shockwave Supernova era o personagem que inventei para conseguir ser alguém mais extrovertido no palco.”
Apesar das dificuldades, Satriani aprendeu bastante com a estrada. Uma dessas lições veio quando tocou com Mick Jagger em sua turnê solo de 1988. Em uma entrevista de 2007 à Guitar Player, ele relembrou um momento marcante durante um ensaio:
“Eu estava improvisando na guitarra na sala de ensaio, e ele chegou perto de mim e começou a cantar. Aquilo me fez relaxar. Pensei: ‘Cara, eu não deveria ser tão travado com minha criatividade. Mick Jagger não é. Por que eu seria?’”
“Quando ele subia ao palco, você aprendia rapidamente o que era projeção. A piada era: você podia ficar ao lado dele, se incendiar, e o público ainda estaria olhando só pro Mick. Ele tem esse poder.”
Satriani também reconhece que não é incomum músicos experientes lidarem com o nervosismo no palco. Em uma entrevista de 2020 à Inc., ele contou:
“Conheci a Joan Baez num show beneficente. Ela é incrível. Canta, toca, nunca erra. Depois descobri que ela vomitava antes de entrar no palco.”
Outra revelação veio de Sammy Hagar, que usava óculos escuros para lidar com o nervosismo. Satriani comentou que ele parecia ter nascido para ser frontman, e Hagar respondeu:
“Não, somos todos iguais. Você sabe o quão embaraçoso é segurar um microfone e cantar na frente de todo mundo?”
Com base nessas experiências, Joe Satriani concluiu:
“Você não precisa ser extrovertido. Só precisa encontrar uma maneira de fazer o que quer ou precisa fazer.”