Pronto, cheguei ao fim do CD Lampião Rei da Papangu, banda Paraibana. Durante a degustação desse som, li alguns releases sobre a banda, acompanhei a letra de algumas músicas e fui observando as redes sociais da banda, Sepultura e Nação Zumbi não saiam da minha cabeça, não por serem sons parecidos, mas pela potência criativa e autêntica do som. Até então não tinha escutado forró, maracatu e metal, pensar nessa mistura pode soar improvável, mas é exatamente essa a essência que captei deste CD.
A Papangu nasceu na Paraíba e essa sonoridade ousada e única, faz o grupo transitar entre o peso do rock progressivo, a riqueza dos ritmos nordestinos e a energia visceral do metal extremo. Troquei uma ideia com o Marcos Mayer, ele é baixista e vocalista da banda, meu primeiro questionamento a ele foi sobre essa característica regional do metal paraibano “Foi natural para nós, sendo todos nordestinos, criar e tocar música que escutamos a vida toda”. Hoje a Papangu é composta por Hector Ruslan (guitarra, voz), Marco Mayer (baixo, voz), Vitor “Vespa” Alves (bateria, percussão), Rai Accioly (guitarra, voz) Pedro Francisco (baixo, guitarra, sopros, percussão, gaita, voz) e Rodolfo Salgueiro (teclado, voz).
A mistura de influências reflete as trajetórias individuais dos integrantes. Rodolfo, por exemplo, já integrou bandas de forró tradicional enquanto explorava o metal. Pedro, por sua vez, é versado em jazz e ritmos nordestinos, além de ter tocado na Itiberê Orquestra Família, projeto de Hermeto Pascoal. Vitor alterna entre tocar bateria em bandas de metal extremo e fazer zabumba em trios pé-de-serra.
Os fãs de rock progressivo também encontram referências claras no som da Papangu, o grupo declara abertamente sua admiração por nomes como Magma, Frank Zappa, Genesis e Gentle Giant. “A influência do progressivo esteve muito presente na escolha de texturas, timbres e instrumentos. Acho que temos muita sorte de ter na banda gente que não tem restrição a curtir outros estilos, mas que, na hora de tocar, quer entregar um som mais cabeçudo e pesado”, explica Marco.
Do underground ao mundo
Desde sua formação em 2012, a Papangu passou por várias fases, começando no stoner rock e evoluindo para o som multifacetado atual. Metade da banda vive exclusivamente de música, dividindo-se entre projetos solos e outros trabalhos. “Sempre que é possível, rodamos o Brasil, especialmente no Nordeste e no Sudeste, onde parecem estar nossos maiores públicos. Toda vez que tocamos em um lugar novo, descobrimos fãs que sabem nossas letras de cor. Isso nos dá muita instiga para continuar fazendo turnês.”
Em 2025, a banda promete voos ainda maiores. Além de uma turnê pelo Brasil, que inclui Goiânia, Brasília e outras cidades, a Papangu fará sua estreia internacional, com apresentações no Arctangent Festival, na Inglaterra, e no Complexity Fest, na Holanda. “Estamos compondo material para o próximo disco, mas ainda não podemos divulgar detalhes”, revela.
Conexões musicais em Goiânia
Chegando à capital goiana pela primeira vez, a banda está ansiosa para explorar o cenário underground local. Entre as bandas favoritas estão a Frieza, referência no sludge metal, e o Trio Cerrado, do baixista Marcelo Maia, que mergulha no jazz e no choro moderno. A Papangu é a prova viva de que misturar tradição e inovação gera frutos surpreendentes. Para quem gosta de peso, criatividade e raízes nordestinas, essa banda paraibana é uma parada obrigatória.
Breno Magalhães é jornalista e locutor da 89 Rádio Rock de Goiânia, músico frustrado e cineasta de fita crepe.