Uma pesquisa recente em neurociência avaliou como músicos respondem à dor comparados a não músicos, descobrindo que aqueles que tocam algum instrumento apresentam uma tolerância maior tanto ao desconforto físico quanto às alterações cerebrais associadas à dor.
Os participantes foram submetidos à indução de dor nas mãos usando um composto chamado “fator de crescimento nervoso”, que provoca desconforto muscular, acompanhado por estímulos repetitivos. Também foi usada estimulação magnética transcraniana para mapear como o cérebro controla esses membros antes e alguns dias após a indução. Os músicos mostraram mapas cerebrais mais precisos antes da dor e mantiveram essa precisão mesmo após alguns dias, enquanto para não músicos os mapas encolheram (diminuíram em extensão/clareza) logo após dois dias de dor.
Além disso, os músicos relataram sentir menos desconforto, e essa resistência estava relacionada com o número de horas que praticam seus instrumentos, ou seja, quanto mais prática, maior a tolerância. Apesar da amostra pequena (40 pessoas), os resultados sugerem que o treinamento musical de longo prazo pode modificar como percebemos a dor e como o cérebro responde a ela.
Crédito editorial: Vincent Lock / commons.wikimedia.org