Do karaokê ao Aborto Elétrico, conheça a história da banda Fuzo

A história da Fuzo começa como muitas histórias de banda começam: numa noite aleatória, num bar, com um microfone na mão. Frank, então baterista em outro projeto, resolveu cantar uma música no karaokê. André de Matos, guitarrista da Fuzo, estava lá “quando ouvi o Frank, na hora pensei, temos um vocalista. Eu não sabia que o Franklin cantava, descobri esse dia. Começamos um projeto, entramos em estúdio, tentamos lançar um cd pela Seven, tivemos apoio de produtores do Charlie Brown Jr, Kiko Zambianchi, e a banda nasceu naquele momento”, conta André.

Mas ali, naquele karaokê em Brasília, em 2015, a formação começou a mudar. O grupo teve uma característica marcante: músicos de diferentes formações e influência. O grupo começou a se formar oficialmente em 2015, com ensaios e composições próprias: “A sonoridade da banda Fuso desde os primeiros ensaios foi uma coisa bem peculiar. Depois de algumas formações, a formação atual se deu num primeiro ensaio no estúdio de um amigo na Asa norte, em Brasília, foi lá que nós conhecemos o Fernandão, que é baixista até hoje. A gente precisava mudar o baixista e o Fernandão entrou na sala de ensaio e eu naquele momento entendi que a Fuso se tratava de uma banda que cada músico vinha com uma proposta, com uma escola diferente, musical. Cada escola, cada tendência, cada referência, ela promovia uma contribuição para uma formatação de uma identidade musical, uma impressão sonora dentro da banda. Eu acho que o que fez essa sonoridade surgir foi a contribuição da identidade de cada um dentro do trabalho, da escola musical de cada um”, explica Frank o vocalista da Fuzo.

Apesar da raiz no rock, a banda não se limita “Nós somos uma banda conceitualmente de rock, mas nossos corações estão abertos para tudo. Eu escuto de música clássica a chorinho, e não tenho preconceito com absolutamente nada. Música é música. A gente só tem que aprender com as manifestações culturais”, explica André. Ele cita influências que vão do Queens of the Stone Age ao Nirvana, passando pelo grunge, stoner, metal e pop: “A gente sempre teve um viés de um rock autoral com uma vertente pop. Bons refrões, boas vozes. Sempre seguimos esse caminho”.

A versatilidade também se refletiu na trajetória da banda. Com o tempo, a Fuzo se especializou em eventos, aberturas de shows e parcerias. “A gente acabou se especializando muito em fazer eventos. Tocamos muito em abertura de shows, acompanhando artistas. E deixamos um pouco para trás o trabalho autoral”, diz André. No currículo estão apresentações com Biquini, Raimundos e colaborações com nomes como Paulo Miklos (Titãs), Nasi (Ira!), Israel (Biquini) e Jimmy London (Matanza Ritual). “Só esse tanto de bandas já mostra o tipo de referência que a gente carrega e as coisas que a gente já fez”, completa.

Foi numa dessas ocasiões que André e Franklin conheceram Flávio Lemos, do Capital Inicial. O encontro aconteceu durante uma apresentação em um bar de Brasília, dedicada às músicas do Aborto Elétrico, banda que foi o embrião da Legião Urbana e do próprio Capital Inicial: “Teve uma química imediata. Os irmãos Lemos acabaram fazendo um convite para a gente ressuscitar o Aborto Elétrico. E eu e o Frank fazemos parte hoje dessa formação”, conta André. Com o projeto, tocaram em festivais e eventos como o encerramento da mostra em homenagem a Renato Russo, no MIS-SP, e até em eventos alternativos, como a Universo Paralello, festival de música eletrônica.

Apesar das andanças e colaborações, a banda agora quer voltar a olhar para dentro. “O nosso próximo passo é investir no trabalho autoral. A gente quer retomar isso agora e aproveitar as aberturas que temos para aplicar nosso som”, diz André. A motivação é fortalecer a identidade da banda com composições próprias, criando espaço no cenário independente.

Falando sobre o próprio cenário, André compartilha uma visão crítica sobre o mercado fonográfico atual. Para ele, o rock não morreu, mas envelheceu com o público: “O rock pertence ao tempo das pessoas que produziram e consumiram. As pessoas estão envelhecendo e o rock também. O rock morreu? Não. Está aí, só está mais velho. É igual falar que o jazz morreu. Está lá. Menor, mas existe”. Ele também aponta mudanças no consumo de música como um dos fatores principais dessa transformação: “O jeito de produzir e consumir música está se modificando todos os dias. Nós não estamos mais na década de 80 ou 90. Aquela estrutura de venda de CD, mercado editorial, revistas, livros, filmes… isso não existe mais. Para a música acontecer, precisa de mercado. E esse mercado retraiu. Não só o rock, todos os gêneros estão passando por um momento de inflexão.”

Manter uma banda ativa, hoje, é um desafio logístico. “Você precisa de equipe, assessoria, produção, transporte, comida, booking. É uma cadeia de fornecimento para que uma produção aconteça. E hoje em dia isso já não rola mais como antes”, explica André. E conclui: “O rock nacional continua preso aos mitos do passado. Eu não vejo acontecendo uma renovação muito por conta desse mercado que não consegue sobreviver.”

A banda é formada por Frank (voz), André de Matos (guitarra), Fernando de Castro (baixo), Leonardo Cavalcante (bateria). Nos palcos, nos bastidores, nas composições que virão e nas histórias que ainda não podem ser contadas a Fuzo continua.

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