A reaproximação entre Liam e Noel Gallagher durante a turnê de reunião do Oasis é um dos pontos centrais do documentário “Don’t Look Back In Anger”. Os diretores Will Lovelace e Dylan Southern afirmaram que a relação entre os irmãos se tornou mais próxima ao longo dos shows, impulsionada pela música e pela reação do público.
Em entrevista à NME, a dupla explicou que acompanhou desde os primeiros ensaios até os bastidores da “Live ’25”, que marcou o retorno do Oasis aos palcos após 16 anos. O filme também reúne entrevistas com os integrantes e registros das apresentações realizadas em estádios.
Segundo os diretores, os primeiros ensaios foram registrados de maneira discreta. Câmeras foram posicionadas no espaço antes da chegada dos músicos e, durante seis semanas, Liam e Noel não tiveram contato direto com integrantes da equipe de filmagem.
A intenção era registrar o reencontro sem interferir na dinâmica entre os irmãos. Apesar das dúvidas sobre como seria a convivência depois de mais de uma década separados, Southern afirmou que o primeiro ensaio ocorreu sem conflitos. Liam teria chegado ao local, deixado seus pertences e iniciado imediatamente o trabalho com os demais músicos. A banda então percorreu o repertório de aproximadamente duas horas preparado para a turnê.
A dimensão emocional da reunião, segundo os cineastas, tornou-se mais evidente quando o Oasis iniciou os shows. Um dos momentos registrados aconteceu na abertura da apresentação em Cardiff, quando Liam espontaneamente segurou a mão de Noel enquanto os dois entravam no palco. Lovelace afirmou que o gesto surpreendeu inclusive Noel. A reação do público naquela noite também teria feito os integrantes compreenderem a dimensão que a reunião havia alcançado.
A partir daquele primeiro show, os diretores perceberam mudanças graduais na relação entre os irmãos. “A relação deles fica cada vez mais próxima”, afirmou Lovelace ao comentar o desenvolvimento observado durante a turnê.
Southern atribuiu parte dessa aproximação à experiência compartilhada nos palcos. “Foi a música que os aproximou, e a reação do público a essa música”, declarou. “Don’t Look Back In Anger” acompanha esse processo ao longo da turnê e também registra apresentações de músicas como “Champagne Supernova”, além da relação do Oasis com os fãs.
O longa é dirigido por Lovelace e Southern, responsáveis anteriormente por documentários musicais como “Shut Up and Play the Hits”, sobre o LCD Soundsystem, “Meet Me in the Bathroom” e “No Distance Left to Run”, sobre o Blur.
O filme também presta homenagens a Mani, baixista do Stone Roses e do Primal Scream, e a Paul “Bonehead” Arthurs, guitarrista ligado à formação original do Oasis. A produção foi apresentada no Festival de Veneza antes de seguir para lançamento nos cinemas, incluindo sessões em IMAX.