Brian May muda posição sobre inteligência artificial e pede limites para tecnologia

Brian May afirmou que mudou sua posição sobre o avanço da inteligência artificial e passou a defender limites mais rigorosos para o desenvolvimento e a utilização da tecnologia. O guitarrista do Queen falou sobre o assunto em entrevista à rádio britânica Absolute Radio.

Segundo May, sua percepção inicial era de que a expansão da inteligência artificial seria inevitável e que a sociedade precisaria se adaptar à nova realidade. Atualmente, porém, o músico considera necessário estabelecer mecanismos de controle.

“Sinto que temos que resistir e limitar seu alcance. Temos que controlá-la com muita seriedade e rapidez”, afirmou, de acordo com declaração repercutida pelo Blabbermouth.

O guitarrista também demonstrou preocupação com o desenvolvimento de sistemas capazes de operar com níveis cada vez maiores de autonomia. Para May, a possibilidade de perda de controle humano sobre essas tecnologias precisa ser considerada no debate sobre inteligência artificial.

“Para mim, existem perigos inerentes na criação de uma inteligência que seja capaz de, eventualmente, nos controlar. É uma ameaça muito real”, declarou.

As preocupações também influenciaram uma ideia discutida pelo próprio Queen nos últimos anos. May revelou que chegou a considerar a criação de uma experiência digital baseada na banda, em formato semelhante ao “ABBA Voyage”, espetáculo que utiliza representações digitais dos integrantes do ABBA.

O guitarrista afirmou que passou um período planejando como uma produção desse tipo poderia funcionar para o Queen. As possibilidades ganharam espaço especialmente depois de seu contato com o Sphere, em Las Vegas, estrutura desenvolvida para receber espetáculos com grande utilização de recursos audiovisuais.

May, no entanto, disse estar atualmente menos interessado no projeto por causa do nível de tecnologia necessário para desenvolver uma experiência baseada em versões digitais dos músicos.

A ideia não foi completamente descartada. Uma das possibilidades consideradas seria uma instalação permanente que permitisse ao público assistir a uma representação do Queen em diferentes momentos de sua trajetória.

Qualquer projeto desse tipo teria ainda de lidar com a representação de Freddie Mercury, morto em 1991, além das questões artísticas e tecnológicas envolvidas na utilização de imagens digitais dos integrantes.

Por enquanto, não existe anúncio oficial de uma produção do Queen nos moldes do “ABBA Voyage”. As declarações de May indicam que a possibilidade continua sendo discutida, mas que suas preocupações atuais com a inteligência artificial passaram a fazer parte da avaliação do projeto.

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