O cantor e ativista Bono Vox, líder da banda U2, publicou nesta semana um ensaio na revista norte-americana The Atlantic em que pede ao governo de Israel a libertação do prisioneiro palestino Marwan Barghouti. No texto, o músico defende que a soltura do líder político seria um passo estratégico para a retomada do processo de paz no Oriente Médio.
Segundo Bono, qualquer negociação duradoura exige que ambos os lados sejam representados por líderes reconhecidos como legítimos por suas próprias comunidades. Para ele, Barghouti preso há mais de duas décadas possui um perfil raro, capaz de unificar diferentes facções palestinas e dialogar com autoridades israelenses. “Ele talvez seja o único homem que poderia reivindicar com credibilidade representar uma ampla coalizão de palestinos na mesa de negociações”, escreveu.
No ensaio, o vocalista traça um paralelo entre Barghouti e Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, destacando a capacidade de reconhecer a legitimidade do “outro” como um elemento essencial para a superação de conflitos históricos. “Nossa oração é que ele esteja física e mentalmente saudável o suficiente para fazer isso”, afirmou Bono, antes de concluir com um apelo direto: “Libertem-no. E deixem que ambos os lados finalmente comecem de novo”.
O artista argumenta ainda que é justamente esse potencial de liderança moderada que transforma Barghouti em uma ameaça para setores mais radicais do governo israelense. “Barghouti é diferente, e é por isso que israelenses de direita, incluindo o primeiro-ministro, que temem uma solução de dois Estados, o veem como tão perigoso”, analisou.