A última gravação de Layne Staley, vocalista do Alice in Chains, ocorreu em 1998, durante a produção da trilha sonora do filme The Faculty. A participação foi realizada no projeto Class of ’99, um grupo formado especificamente para registrar um cover de “Another Brick in the Wall”, do Pink Floyd. Staley dividiu o estúdio com Tom Morello, Stephen Perkins, Martyn LeNoble e o produtor Matt Serletic. A sessão ocorreu em novembro daquele ano e marcou a última vez que o cantor registrou vocais em estúdio.
Nos anos anteriores à gravação, Staley enfrentava um período de reclusão e problemas relacionados ao uso de substâncias. Em entrevista à Rolling Stone, em 1996, ele afirmou: “Quando experimentei drogas, elas eram ótimas… agora estão se voltando contra mim e agora estou atravessando o inferno”. Segundo Sean Kinney, baterista do Alice in Chains, o distanciamento entre os integrantes já era perceptível. “Eu converso com o Layne, mas não saímos juntos. Não vivo o estilo de vida dele, então a casa dele não é o lugar mais saudável para se estar”, declarou ao autor Mark Yarm no livro Everybody Loves Our Town.
Em agosto de 1998, pouco antes do projeto Class of ’99, Staley participou das gravações de “Get Born Again” e “Died”, faixas inéditas lançadas no box Music Bank. Bryan Carlstrom, engenheiro de som da sessão, relatou ao biógrafo David De Sola que ficou surpreso ao ver o estado físico do vocalista. “Eu não o reconheci”, afirmou. Mesmo diante das dificuldades, Staley completou as gravações previstas para o grupo.
A relação entre o vocalista e o ex-baixista do Alice in Chains, Mike Starr, também havia se deteriorado. Starr relatou que, em abril de 2002, deixou o apartamento de Staley após uma discussão e não voltou a vê-lo. Em 19 de abril daquele ano, a polícia encontrou o corpo do músico em seu apartamento em Seattle. Ele havia morrido em 5 de abril, data posterior ao último contato com Starr. “Eu já esperava essa ligação há muito tempo”, afirmou Sean Kinney a Mark Yarm ao comentar a morte do colega.
Jerry Cantrell, guitarrista da banda, revisitou o episódio em entrevista ao mesmo autor. Questionado sobre a possibilidade de ter evitado o desfecho, respondeu: “Acho que não… éramos homens adultos naquela época e vivemos nossas vidas da maneira que decidimos”.