Kneecap lota Wembley e transforma show em ato político e cultural

Na última quinta-feira (18), o trio de rap Kneecap, de West Belfast, protagonizou um dos momentos mais marcantes da cena musical britânica de 2025 ao lotar a OVO Wembley Arena, em Londres, com um público de 12.500 pessoas. O evento, que reuniu gerações e estilos, foi mais do que um show: tornou-se uma celebração da identidade irlandesa e um manifesto político.

Desde o lançamento do projeto 3CAG em 2018 e do álbum Fine Art em 2024, Kneecap tem conquistado espaço com sua mistura de rap afiado, humor provocativo e ativismo. A atmosfera no Wembley refletia essa energia: camisas verdes, keffiyehs, balaclavas tricolores e uma multidão vibrante que transformou o saguão em um mar de vozes e símbolos.

A ascensão meteórica da banda contrasta com os desafios enfrentados. O rapper Mo Chara está em liberdade condicional e prestes a enfrentar nova audiência judicial em Londres, acusado de exibir uma bandeira do Hezbollah em vídeo antigo uma acusação que o grupo considera “fabricada”. A situação levou ao cancelamento da turnê nos EUA neste outono.

A postura crítica do Kneecap em relação à política israelense em Gaza também gerou repercussão internacional. Após denunciarem o que chamaram de “genocídio financiado pelos EUA” durante o Coachella, enfrentaram censura em festivais como o TRNSMT, além de pedidos públicos para revogação de seus vistos.

Mesmo assim, o grupo segue firme. No show em Wembley, membros do Massive Attack, Robert Del Naja e Grant Marshall, abriram a noite com um vídeo anti-guerra. Bandeiras da Palestina foram erguidas pelo público e exibidas em telões, enquanto “I Love You”, da banda Fontaines D.C., ecoava pelo estádio como trilha sonora da resistência.

Crédito editorial: Raph_PH / commons.wikimedia.org

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