Projeto Na Bike Com Deficiente Visual é mais rock n’ roll que muita banda de rock

Como diria o pensador Baruch Espinoza quem sabe o que pode o corpo? E a essa questão fundamental nunca se teve resposta, afinal o corpo pode tudo, até mesmo pedalar. Em 2015 um grupo de pedal de Brasília foi até Goiânia fazer um “pedal” a convite da Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás, foi a primeira vez que o Supercilio Barros havia participado de um projeto como aquele, pedalar em uma bicicleta dupla com um deficiente visual pela cidade. Foi ele que me contou sobre essa experiência, que de tão marcante propôs a outros amigos “por que não criar esse projeto aqui em Goiânia?”. Assim surge o Na Bike com Deficiente Visual – NBDV.

“Foi a primeira vez que eu conduzi um deficiente visual. Naquele dia eu conheci mais dois amigos o Domingo Sávio Afonso e o Emerson que depois de muita conversa comigo e com minha minha esposa Luzia nos reunimos e criamos o projeto. Começamos a pedalar com deficientes visuais adultos e crianças”, explica o presidente do projeto de inclusão social NBDV, Supercilio Barros.


O Supercilio que além de um apaixonado pelo rock n’ roll também pratica ciclismo com muito afeto, explica que o objetivo principal do projeto é incluir o deficiente visual, através da bike, através do esporte, através do ciclismo, nos aspectos culturais e sociais da cidade de Goiânia. “Sempre visitamos um parque na cidade de Goiânia e no trajeto nós fazemos a audiodescrição por onde passamos, lembrando que os nossos pedais sempre acontecem no terceiro domingo do mês, saindo do bosque do Parque Areião e chegando no mesmo local.”

O Supercilio detalha que os passeios ciclísticos são realizados em bicicletas tandens, com dois assentos, adaptadas para a locomoção de um condutor e de um carona. O grupo faz sempre uma pausa em um parque ou em um ponto turístico para a visitação, hidratação, breve descanso e registro fotográfico. Nesta parada, um dos representantes do NBDV narra a história, as características e as curiosidades relacionadas ao local visitado. “O público de um modo geral fica encantado quando conhece o projeto quando nos pergunta como é esse pedal em bicicletas duplas. O público fica encantado e a maioria das vezes emocionado, muitos passam a participar do pedal quando conhecem melhor, quando sabem da finalidade dele que é incluir o deficiente visual. Hoje nós já temos atletas disputando modalidades paralímpicas que saíram do Na Bike e participam de competições”, relata.

O NBDV fez uma pausa nos passeios ciclísticos durante a pandemia por Covid-19. Em meados de 2022, o grupo retomou os pedais inclusivos. Aos poucos, a entidade foi crescendo, se consolidando, conquistando o apoio de representantes de instituições e de empresas e a adesão das pessoas que têm deficiência visual. Atualmente o NBDV tem cerca de 80 participantes, entre condutores e pessoas que não enxergam ou têm baixa visão. O presidente também ressalta que uma ambulância acompanha o pedal, além da própria Secretaria de Engenharia de Trânsito da cidade. Desde a sua fundação, o NBDV já realizou 67 passeios por vários parques e pontos turísticos de Goiânia.

Mas Supercilio e quem quiser participar deste projeto, como faz? “Não precisa fazer inscrição. É só chegar na concentração, curtir a vibe e partiu pedal.”

E você, topa fazer um pedal com o pessoal da NBDV?

Breno Magalhães é jornalista e locutor da 89 Rádio Rock de Goiânia, músico frustrado e cineasta de fita crepe.





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