“Eu acho que o que o público pode esperar é memória, né?”, comenta em entrevista a 89 Rádio Rock de Goiânia, o curador da exposição fotográfica GOIÂNIA NOISE FESTIVAL 30 ANOS, Jotape. “Algumas imagens merecem ser revistas. Elas têm que sair do digital, do mundo do imaginário e serem mostradas novamente.” A exposição foi construída a partir de um extenso trabalho de pesquisa e curadoria, envolvendo arquivos da Monstro Discos, redes sociais antigas, CDs, DVDs e até computadores pessoais de fotógrafos que acompanharam o festival ao longo das décadas.
Mesmo imagens com baixa resolução ou fora de foco foram incluídas, por sua relevância histórica e afetiva. “Elas fizeram parte do movimento de ocupação do espaço das cidades”, explica o curador, lembrando que o festival já passou por locais como a Praça Universitária, IFG, Escola Técnica, Martim Cererê, Jaó, Jóquei Clube e o Centro Cultural Oscar Niemeyer.

A exposição também marca a importância do festival como símbolo de resistência cultural. “A maior relevância do Goiânia Noise é essa resistência. Da cultura do rock, da música independente, que é bem forte e merece lembranças e longevidade”, diz Jotape. Ele destaca o trabalho de Léo Razuk e Leo Bigode, atuais responsáveis pelo festival, e também a constante busca por novos espaços e possibilidades para manter o evento vivo.
O processo de curadoria durou cerca de dois meses e envolveu edição e tratamento de imagens para garantir melhor visibilidade: “Foi um trabalho de diagramação para fazer peças com um compilado dos anos iniciais até o ano passado”, conta Jotape, que também assina algumas das fotos da mostra, registros voluntários feitos em 2024 com um olhar mais artístico e plástico, incluindo bastidores e momentos da própria 89 A Rádio Rock de Goiânia.

Em meio à seleção, Jotape encontrou até uma imagem sua, de costas, trabalhando na portaria do festival em sua 12ª edição. “Sempre tive vontade de estar junto na parte do trabalho, fazendo parte da equipe. É algo que eu almejei e que tem acontecido nos últimos anos.”. A exposição promete ser um mergulho afetivo na história do festival, resgatando momentos, rostos e sons que marcaram gerações. Uma segundo o curador uma celebração da memória coletiva e da força da música independente.
Serviço
Exposição: Goiânia Noise Festival – 30 anos: a história em imagens
Abertura: Quinta-feira, 21 de agosto, às 19h
Período: Até 13 de setembro de 2025
Local: Vila Cultural Cora Coralina – Rua 3, nº 1.016, Centro, Goiânia (GO)
Entrada: Gratuita